Brasil bate recorde na abertura de pequenos negócios e pressiona sistema de CNPJ

Por Diego Velázquez 5 Min de leitura

Formalização de MEIs, microempresas e pequenas empresas cresce em ritmo acelerado e ajuda a explicar a mudança no cadastro nacional de empresas.

O Brasil vive um momento de aceleração na formalização de negócios. Segundo dados da Receita Federal reunidos pelo Sebrae, o país abriu mais de 1,033 milhão de pequenos negócios apenas nos dois primeiros meses de 2026, um volume que supera em 3% o recorde anterior, registrado no mesmo período de 2025. Os pequenos negócios, somando microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, representaram 97,3% de todos os cadastros de pessoa jurídica formalizados no país nesse intervalo.

O levantamento também mostra como esse universo se distribui. A categoria de microempreendedor individual, o MEI, lidera com folga, respondendo por 79,5% das aberturas. Em seguida aparecem as microempresas, com 17%, e as pequenas empresas, com 3,5%. Entre os microempreendedores, as atividades mais comuns foram malote e entrega, transporte rodoviário de carga e publicidade. Já entre micro e pequenas empresas, ganharam destaque negócios ligados a atenção ambulatorial de médicos e odontólogos, além de serviços de apoio administrativo.

Um movimento que já dura mais de um ano

Esse ritmo não é um fenômeno isolado de 2026. Ao longo de 2025, o Brasil já havia registrado a abertura de 4,9 milhões de pequenos negócios, o equivalente a 96% do total de 5,1 milhões de novos empreendimentos criados no país naquele ano, segundo dados da Receita Federal compilados pelo Sebrae. O volume representou um avanço de 18,6% em relação a 2024, quando foram abertas 4,3 milhões de empresas.

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o recorde de empresas criadas confirma a confiança dos empreendedores no momento econômico do país. Segundo ele, a combinação de pleno emprego com inflação sob controle estimula as pessoas a apostarem nos próprios negócios, o que coloca o Brasil entre os países mais empreendedores do mundo. Lima também destaca que boa parte da população brasileira sonha em empreender, e que o empreendedorismo funciona como porta de entrada para inclusão social, geração de emprego e renda.

Por que esse recorde pressiona o sistema de CNPJ

O volume crescente de novos cadastros ajuda a explicar por que a Receita Federal decidiu mudar o formato do CNPJ neste mês de julho. Segundo dados citados por especialistas do setor contábil, mais de 70 milhões de cadastros de pessoa jurídica já foram emitidos historicamente no país, e o sistema tradicional, apenas numérico, está perto de esgotar as combinações disponíveis. Para o vice-presidente executivo de operações da Contabilizei, Guilherme Soares, o recorde de aberturas não é um evento isolado, mas a consolidação de uma mudança estrutural no comportamento do brasileiro, que passou a entender a importância de formalizar suas atividades econômicas, inclusive quando atua como autônomo.

A adoção do CNPJ alfanumérico, que passa a valer para novos cadastros a partir deste mês, também prepara o terreno para a chegada da reforma tributária, com a CBS e o IBS. Ou seja, dois movimentos que parecem distintos à primeira vista, o boom de pequenos negócios e a mudança técnica no cadastro nacional, estão diretamente conectados na prática.

O que esse cenário significa para quem empreende

Na ponta prática, esse conjunto de dados sinaliza um ambiente de negócios em expansão, mas também mais complexo do ponto de vista regulatório. Quem está formalizando um pequeno negócio agora entra em um sistema que está sendo atualizado ao mesmo tempo em que passa por uma reforma tributária profunda, o que reforça a importância de acompanhar de perto orientações da Receita Federal e do Sebrae nos próximos meses.

O crescimento da formalização também aparece em diferentes estados do país, com destaque para regiões que lideram o avanço percentual de novos negócios no primeiro trimestre de 2026. Para especialistas do setor, a tendência é que esse ritmo de abertura de empresas continue relevante ao longo do ano, à medida que a economia brasileira mantém indicadores como emprego e inflação relativamente estáveis, o que segue estimulando novos empreendedores a formalizar suas atividades.

Fontes: Agência Brasil | Agência Sebrae de Notícias | Conexão Tocantins

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