O envelhecimento saudável está deixando de ser associado apenas à ausência de doenças e passando a envolver a capacidade de manter autonomia, movimento e participação na vida cotidiana. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, atua em uma área diretamente ligada a essa mudança de perspectiva. Em 2026, tecnologia, atividade física e prevenção podem ser entendidas como partes complementares de um mesmo cuidado, mas cada uma cumpre uma função diferente.
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Por que a atividade física ganhou espaço?
A perda de força e de mobilidade pode comprometer tarefas que parecem simples, como levantar-se de uma cadeira, subir escadas ou caminhar até um comércio próximo. Por isso, manter o corpo ativo está relacionado não apenas ao condicionamento físico, mas também à preservação da independência. Manter essas capacidades pode facilitar a realização de atividades cotidianas e reduzir o impacto de algumas limitações sobre a rotina.
A atividade física precisa, entretanto, considerar as condições de cada pessoa. Idade, histórico de saúde, limitações existentes e nível de condicionamento interferem na escolha dos exercícios e na intensidade adequada. Para alguns idosos, caminhadas podem fazer parte da rotina. Para outros, exercícios voltados à força, equilíbrio e flexibilidade podem ter importância específica. A orientação de um profissional pode ajudar a definir práticas compatíveis com as características e necessidades individuais.
O objetivo também não precisa ser desempenho esportivo, informa o Doutor Yuri Silva Portela. A ideia é preservar capacidades que permitam continuar realizando atividades cotidianas. Esse entendimento aproxima a prática de exercícios da própria lógica da geriatria, na qual funcionalidade e autonomia ocupam espaço importante na avaliação do envelhecimento. Dessa forma, a atividade física pode ser compreendida como parte do cuidado contínuo, e não apenas como uma busca por condicionamento ou resultados de desempenho.
Onde entra a prevenção?
Prevenir significa agir antes que determinado problema provoque consequências mais difíceis de controlar. Na terceira idade, isso envolve acompanhar condições crônicas, manter a vacinação em dia, realizar avaliações recomendadas e observar mudanças na mobilidade, na cognição e na saúde emocional. Esse acompanhamento permite perceber alterações ao longo do tempo e buscar orientação antes que elas interfiram de maneira mais significativa na rotina.

De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, a prevenção também pode ajudar a identificar situações que aumentam o risco de quedas ou de perda de independência. Uma alteração aparentemente pequena na marcha ou uma dificuldade recente para realizar determinada tarefa pode merecer investigação, especialmente quando representa uma mudança em relação ao padrão habitual. Prestar atenção a essas mudanças ajuda a diferenciar características estáveis de sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada.
A tecnologia pode ajudar a envelhecer melhor?
Relógios inteligentes, aplicativos de saúde, chamadas de vídeo e outras ferramentas digitais passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas. Para idosos, esses recursos podem facilitar o acompanhamento de determinadas informações e aproximar pacientes, familiares e profissionais. Quando utilizados de maneira adequada, esses recursos também podem contribuir para que o idoso participe mais ativamente do acompanhamento da própria rotina.
Um dispositivo capaz de registrar atividade física, por exemplo, pode ajudar uma pessoa a observar sua própria rotina de movimento. Recursos de comunicação também podem facilitar o contato com familiares e serviços de saúde, principalmente para quem enfrenta dificuldades de deslocamento. Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, essas ferramentas podem ser especialmente úteis quando complementam o acompanhamento presencial e facilitam a troca de informações entre as pessoas envolvidas no cuidado.
Mas tecnologia não substitui avaliação profissional. Um número apresentado por um aplicativo não explica sozinho o estado de saúde de uma pessoa. Além disso, nem todos os idosos possuem familiaridade com ferramentas digitais. Por isso, a tecnologia precisa ser acessível e utilizada como apoio, e não como substituta da relação entre paciente e profissional. Orientação adequada também é importante para que os recursos sejam utilizados de forma segura e realmente contribuam para o cuidado.