Empresa amplia sua estratégia de inteligência artificial e reorganiza operações para transformar tecnologia em novos produtos, serviços e oportunidades de negócios.
A KPMG está reorganizando sua estrutura dedicada à inteligência artificial com o objetivo de aproximar tecnologia, inovação e criação de novos negócios. A mudança ocorre em um momento de forte expansão do uso de IA por empresas de diferentes setores e reflete uma transformação no papel que grandes consultorias pretendem desempenhar nesse mercado. Em vez de tratar a inteligência artificial apenas como uma ferramenta de produtividade, a estratégia busca incorporá-la diretamente à criação de soluções para clientes e ao desenvolvimento de novas oportunidades comerciais.
A movimentação também acontece em meio à aproximação da KPMG com empresas especializadas em inteligência artificial. Em maio de 2026, a companhia anunciou uma aliança global com a Anthropic para integrar o Claude, modelo de inteligência artificial da empresa, à plataforma Digital Gateway, utilizada pelos profissionais da KPMG em atividades de atendimento e entrega de serviços. A parceria também prevê atuação conjunta em projetos de inteligência artificial para empresas e fundos de private equity. (Fortune)
Segundo informações divulgadas pela Fortune, a estratégia da KPMG envolve concentrar diferentes iniciativas de IA, inovação e ecossistema em uma estrutura capaz de acelerar a criação de negócios tecnológicos. A reorganização ocorre enquanto a empresa procura aumentar a adoção prática da inteligência artificial entre seus profissionais e clientes, em uma tentativa de transformar os investimentos realizados na tecnologia em aplicações concretas e resultados comerciais.
KPMG amplia atuação em inteligência artificial e inovação
A reorganização representa uma mudança na maneira como a KPMG pretende trabalhar com inteligência artificial. A companhia vem desenvolvendo ferramentas próprias e estabelecendo alianças com empresas de tecnologia para incorporar recursos de IA às atividades de consultoria, tributação, auditoria e assessoria empresarial. A ideia é utilizar a tecnologia não apenas para automatizar tarefas, mas também para desenvolver novos fluxos de trabalho e serviços que possam ser oferecidos aos clientes.
Um dos principais movimentos nesse sentido foi a parceria firmada com a Anthropic. Pelo acordo, o modelo Claude será integrado ao Digital Gateway, plataforma utilizada pela força de trabalho global da KPMG. Segundo a empresa, a integração permitirá que profissionais utilizem recursos de IA diretamente em seus processos de trabalho, enquanto a KPMG também passa a atuar como parceira da Anthropic na implementação da tecnologia em empresas de private equity. (Fortune)
A estratégia mostra como as grandes empresas de serviços profissionais estão tentando se posicionar diante do avanço dos modelos generativos. A disputa deixou de envolver somente fabricantes de software e empresas especializadas em IA e passou a alcançar consultorias, bancos, companhias industriais e outros setores interessados em transformar a tecnologia em vantagem operacional.
No caso da KPMG, a reorganização também está relacionada à necessidade de capacitar seus próprios profissionais. A empresa informou à Fortune que desenvolveu métodos de treinamento para orientar funcionários sobre o uso responsável da inteligência artificial, incluindo uma abordagem chamada “Think, Prompt, Check”. A proposta é combinar a utilização dos modelos de IA com análise humana e revisão dos resultados produzidos pela tecnologia. (Fortune)
Nova estrutura busca transformar IA em novos negócios
A criação de uma estrutura mais voltada à inovação procura responder a uma questão que vem ganhando importância no mercado corporativo: como transformar investimentos em inteligência artificial em negócios efetivamente escaláveis. Muitas empresas já utilizam ferramentas de IA para tarefas internas, mas o próximo estágio envolve criar produtos, serviços e modelos comerciais que tenham a tecnologia como parte central de sua proposta de valor.
A KPMG busca avançar justamente nessa direção. Ao reunir profissionais ligados a IA, inovação e ecossistemas de tecnologia, a companhia pretende criar condições para que novas soluções sejam desenvolvidas com maior velocidade. Isso pode envolver desde ferramentas internas até aplicações específicas para setores como finanças, tributação, indústria e private equity.
A parceria com a Anthropic amplia esse potencial. A KPMG pretende utilizar o Claude em sua própria operação e, ao mesmo tempo, ajudar empresas clientes a implementar soluções baseadas no modelo. A estratégia cria uma ponte entre desenvolvimento tecnológico e consultoria empresarial, permitindo que a companhia atue tanto como usuária quanto como integradora das novas ferramentas de inteligência artificial. (Fortune)
A iniciativa também acompanha uma tendência mais ampla entre empresas de tecnologia e serviços profissionais: a formação de ecossistemas em torno da IA. Em vez de desenvolver todas as soluções internamente, companhias estão combinando modelos de grandes laboratórios, plataformas próprias, especialistas de diferentes áreas e conhecimento específico dos setores atendidos. Para a KPMG, esse modelo pode ampliar a capacidade de transformar inteligência artificial em soluções voltadas a problemas concretos das empresas.
Inteligência artificial muda estratégia de grandes empresas
A movimentação da KPMG acontece em um mercado no qual a inteligência artificial já está alterando estruturas internas, investimentos e estratégias de grandes companhias. A Meta, por exemplo, passou por uma reorganização de sua divisão de inteligência artificial e começou a reconsiderar parte da redução de cargos de gestão que havia adotado durante sua estratégia de enxugamento organizacional. O movimento mostra que empresas de tecnologia estão ajustando continuamente suas estruturas à medida que avançam os investimentos em IA. (Fortune)
A própria KPMG reconhece que a adoção de IA exige mudanças na forma como os profissionais trabalham. Pesquisa mencionada pela empresa à Fortune, realizada em conjunto com a Universidade do Texas em Austin, analisou mais de 1,4 milhão de interações entre profissionais da KPMG e sistemas de inteligência artificial. Segundo a empresa, apenas uma parcela dessas interações foi classificada como resultado efetivamente significativo, o que reforça a necessidade de treinamento e mudança nos processos de trabalho. (Fortune)
Esse cenário ajuda a explicar por que a empresa está investindo em uma estrutura capaz de conectar tecnologia e negócios. A expansão da IA não depende apenas da contratação de ferramentas ou da disponibilização de modelos para funcionários. Empresas precisam definir onde a tecnologia pode gerar valor, estabelecer mecanismos de controle, capacitar equipes e desenvolver aplicações que possam ser incorporadas aos processos corporativos.
A reorganização da KPMG, portanto, representa parte de uma transformação mais ampla no setor empresarial. A inteligência artificial está deixando de ser tratada somente como uma tecnologia experimental e passando a ocupar espaço central nas estratégias de inovação, produtividade e desenvolvimento de novos negócios. Para grandes empresas de serviços, o desafio agora é transformar o acesso aos modelos de IA em soluções que possam ser utilizadas de maneira segura, mensurável e comercialmente sustentável.
Fontes:
- Fortune — KPMG e Anthropic ampliam parceria de inteligência artificial — detalha a integração do Claude ao Digital Gateway, o alcance da iniciativa e a estratégia da KPMG para uso corporativo de IA. (Fortune)
- KPMG — KPMG e Anthropic — fonte oficial sobre a parceria, incluindo a implementação do Claude e o desenvolvimento de iniciativas de IA para clientes. (KPMG)
- KPMG Ventures — investimentos e incubação de startups — apresenta a atuação da KPMG com startups de IA, dados e cibersegurança e o KPMG Studio, voltado à incubação de novos negócios. (KPMG)
- KPMG — comunicados e estudos sobre inteligência artificial — reúne pesquisas e anúncios recentes da empresa sobre IA, governança e transformação empresarial. (KPMG)