Para 11 redes brasileiras, a expansão internacional deixou de ser apenas uma possibilidade de longo prazo e passou a ser discutida em uma agenda concreta de negócios. As empresas participaram, em outubro de 2026, de uma missão empresarial nos Estados Unidos organizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com a ApexBrasil. A expectativa divulgada é de que a iniciativa possa gerar mais de US$ 7 milhões em negócios.
O grupo reuniu marcas de diferentes segmentos, como alimentação, serviços, fitness, beleza e tecnologia. Entre as participantes estavam Corpo Bueno, Emagrecentro, Global Franchising, JPB&Co, market4you, Milky Moo, Mr Black, Pratique Fitness, Space Hunters, Yungas e XPay. A diversidade mostra que o movimento de internacionalização alcança redes com modelos de operação distintos, e não apenas empresas concentradas em um único ramo.
De acordo com a Associação Brasileira de Franchising, a missão teve como objetivo aproximar as marcas brasileiras do mercado norte-americano e criar oportunidades de relacionamento com potenciais parceiros. A programação combinou conteúdo sobre a entrada nos Estados Unidos, exposição setorial, visitas técnicas e reuniões ligadas ao franchising.
Agenda combinou informação, feira e visitas técnicas
Um dos compromissos foi um seminário realizado na unidade da ApexBrasil em Miami, com foco nos caminhos para empresas interessadas em ingressar nos Estados Unidos. A programação também incluiu a participação no IFA World Franchise Show, evento voltado ao mercado de franquias, além de visitas técnicas a operações norte-americanas.
Esse formato é relevante porque coloca as empresas em contato com diferentes etapas do processo de expansão. O seminário oferece informações sobre o mercado; a feira amplia a possibilidade de conexões; e as visitas permitem observar operações em funcionamento. Em conjunto, essas atividades ajudam os empresários a avaliar parceiros, modelos comerciais e as condições necessárias para transformar o interesse internacional em um plano de negócios.
A missão, portanto, não se limitou à divulgação das marcas brasileiras. A proposta envolveu a construção de relacionamentos e a busca por referências para decisões futuras. Para redes que ainda analisam a entrada no país, conhecer o ambiente de negócios e identificar interlocutores locais pode ser uma etapa anterior à definição de investimentos, formatos de operação e cronogramas de expansão.
Estados Unidos já concentram presença de marcas brasileiras
Os Estados Unidos ocupam posição estratégica no processo de internacionalização do franchising brasileiro. Segundo dados de estudo citado pela ABF, o país reúne 66 marcas brasileiras e 307 operações. Esse cenário ajuda a explicar por que o mercado norte-americano foi escolhido para uma iniciativa voltada à aproximação comercial.
A existência de operações brasileiras no país também oferece um ponto de referência para as redes que avaliam seguir o mesmo caminho. Ao mesmo tempo, a presença já registrada não elimina os desafios de uma nova entrada. Cada empresa precisa analisar como seu conceito será apresentado ao consumidor, quais parceiros poderão apoiar a operação e de que maneira o modelo de franquia será estruturado no destino.
Entre os aspectos que podem influenciar essa decisão estão a adaptação cultural, a legislação, a tributação, a variação cambial e a organização da operação local. A missão da ABF e da ApexBrasil não substitui essa avaliação individual, mas cria um ambiente para que as empresas tenham acesso a informações e contatos antes de avançar em compromissos comerciais.
O que a movimentação representa para as redes
Para as marcas participantes, buscar os Estados Unidos significa ampliar o campo de atuação e reduzir a dependência de um único mercado. A estratégia também pode fortalecer a percepção de valor das empresas brasileiras quando elas demonstram capacidade de adaptar seus produtos, serviços e processos a diferentes contextos.
O movimento interessa ainda a empreendedores que acompanham o franchising e estudam caminhos para crescer fora do Brasil. A experiência das 11 redes indica que a internacionalização pode ser tratada como uma agenda estruturada, com preparação, participação em eventos especializados e procura por parceiros, em vez de ocorrer apenas por oportunidades isoladas.
A projeção de mais de US$ 7 milhões em negócios representa uma expectativa associada à missão, e não um resultado já confirmado. Os próximos passos dependerão das negociações iniciadas, da evolução dos contatos e da capacidade de cada marca de adaptar sua operação às exigências do mercado norte-americano. Ainda assim, a iniciativa reforça a busca de empresas brasileiras por novas possibilidades de crescimento no exterior.