Algar Telecom vende operação de IoT por R$ 720 milhões e reforça aposta em cloud e cibersegurança

Por Diego Velázquez 8 Min de leitura

Negócio com a Arqia, controlada pela britânica Wireless Logic, amplia consolidação do mercado de Internet das Coisas e redefine prioridades da Algar.

A Algar Telecom decidiu vender sua operação de conectividade de Internet das Coisas (IoT) para a Arqia Participações e Serviços, empresa controlada pelo grupo britânico Wireless Logic, em uma transação avaliada em R$ 720 milhões. O acordo vinculante foi anunciado ao mercado em 10 de agosto e ganhou repercussão nesta terça-feira, 11, por representar uma movimentação relevante no setor brasileiro de tecnologia e telecomunicações. A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de condições precedentes e das aprovações regulatórias aplicáveis. Para a Algar, a venda faz parte de uma mudança estratégica que pretende direcionar investimentos para áreas como computação em nuvem, cibersegurança e serviços profissionais de tecnologia. Para a compradora, a aquisição aumenta sua escala no mercado brasileiro de dispositivos conectados e fortalece a estratégia da Wireless Logic para a América Latina. A transação também mostra como o crescimento da IoT está provocando uma nova rodada de consolidação entre empresas especializadas em conectar máquinas, veículos, sensores e equipamentos à internet. (TELETIME News)

Por que a Algar Telecom decidiu vender sua operação de IoT

A decisão não significa que a Algar esteja deixando o mercado de tecnologia. Pelo contrário, a companhia apresenta a transação como parte de um reposicionamento destinado a concentrar recursos em outras frentes de TI e telecomunicações. Segundo as informações divulgadas sobre o acordo, a empresa pretende acelerar investimentos em soluções de cloud, cibersegurança e serviços profissionais, áreas que ganharam relevância conforme empresas brasileiras avançaram em digitalização. A venda da unidade de IoT permite transformar um negócio construído nos últimos anos em recursos que poderão ser direcionados para essas prioridades. O valor acertado com a Arqia é de R$ 720 milhões, sujeito aos ajustes normalmente previstos em operações empresariais desse tipo. (TeleSintese)

A operação de IoT da Algar havia sido lançada em 2019, inicialmente voltada para conectividade M2M, sigla utilizada para comunicação direta entre máquinas, e Internet das Coisas. O negócio cresceu até se transformar em uma plataforma relevante dentro do mercado nacional de conectividade para dispositivos. Na prática, esse tipo de serviço permite que equipamentos troquem informações pela rede sem depender da interação constante de uma pessoa. Aplicações podem incluir rastreamento de veículos, terminais de pagamento, máquinas industriais, sensores agrícolas e sistemas utilizados para monitorar equipamentos remotamente. A trajetória da unidade também demonstra como telecomunicações e tecnologia passaram a se aproximar: operadoras deixaram de oferecer somente telefonia e acesso à internet e começaram a disputar contratos para conectar equipamentos utilizados por empresas de diferentes setores. (Diário do Comércio)

Compra fortalece Arqia e Wireless Logic no mercado brasileiro

Para a Arqia, o negócio segue uma estratégia diferente. Em vez de reduzir sua exposição à Internet das Coisas, a companhia pretende ampliar sua presença justamente nesse mercado. A empresa atua com soluções de IoT e M2M e funciona como uma plataforma para que negócios de diferentes setores utilizem conectividade móvel em seus produtos e operações. A Arqia foi criada no Brasil em 2011 e acabou adquirida em 2025 pela Wireless Logic, grupo britânico especializado em conectividade IoT. Com a compra da operação da Algar, a companhia adiciona uma nova carteira e aumenta sua escala em um mercado no qual quantidade de dispositivos conectados e cobertura são fatores importantes para competir. (Arqia)

A Wireless Logic também enxerga a aquisição como parte de sua expansão pela América Latina. A companhia afirma que a combinação da experiência local da Arqia com sua escala e tecnologia global poderá acelerar o desenvolvimento do mercado regional de IoT. O movimento é relevante porque a Internet das Coisas depende de uma infraestrutura que frequentemente precisa funcionar em diferentes redes, cidades e até países. Uma empresa de logística, por exemplo, pode precisar acompanhar veículos em longas rotas; uma indústria pode ter milhares de equipamentos enviando informações continuamente; e instituições financeiras podem utilizar conexões em terminais distribuídos pelo território brasileiro. Quanto maior a escala da operadora especializada, maior tende a ser sua capacidade de negociar conectividade e oferecer plataformas integradas para administrar grandes quantidades de dispositivos. (DataCenterDynamics)

O que a transação revela sobre o futuro da Internet das Coisas

A IoT é uma tecnologia menos visível ao consumidor do que smartphones ou ferramentas de inteligência artificial, mas está presente em um número crescente de atividades econômicas. Um dispositivo conectado pode transmitir localização, temperatura, consumo de energia, funcionamento de uma máquina ou outras informações necessárias para automatizar processos. Isso permite que empresas acompanhem operações à distância, identifiquem problemas antes de uma falha e reduzam atividades manuais. A conectividade M2M e IoT também possui aplicações em setores como agronegócio, logística, indústria, serviços financeiros, energia e cidades inteligentes. O valor estratégico desse mercado ajuda a explicar por que grupos especializados estão buscando escala por meio de aquisições.

O acordo de R$ 720 milhões também evidencia uma tendência de especialização. Para a Algar, faz sentido direcionar recursos para cloud, cibersegurança e serviços tecnológicos que pretende colocar no centro de sua estratégia. Para a Wireless Logic, faz sentido ampliar justamente o negócio de conectividade IoT, área em que atua globalmente. Assim, a mesma operação atende a objetivos diferentes: o vendedor concentra investimentos e o comprador ganha escala. O efeito sobre clientes dependerá de como a integração será realizada após as autorizações necessárias e da capacidade da Arqia de incorporar a estrutura adquirida sem prejudicar a continuidade dos serviços. Como a transação ainda depende de condições precedentes e aprovações regulatórias, a transferência não deve ser tratada como definitivamente concluída neste momento. (TeleSintese)

A venda mostra, por fim, como o mercado brasileiro de telecomunicações está se tornando cada vez mais ligado a serviços empresariais de tecnologia. O futuro das operadoras não depende somente de vender planos de internet ou telefonia, mas de fornecer infraestrutura para nuvem, segurança digital, análise de informações e bilhões de dispositivos que precisam permanecer conectados. A Algar escolheu concentrar esforços em algumas dessas frentes e transformar sua operação de IoT em uma transação de R$ 720 milhões. A Arqia e a Wireless Logic fazem o movimento inverso, aumentando sua exposição à conectividade entre máquinas. Para empresas brasileiras que utilizam sensores, rastreadores, terminais e outros equipamentos conectados, a operação sinaliza um mercado em consolidação, no qual escala internacional e especialização tecnológica deverão pesar cada vez mais na competição.

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