O home office, que explodiu durante a pandemia de Covid-19, está perdendo força em 2025, com mais empresas exigindo o retorno ao trabalho presencial. Um estudo recente da consultoria Korn Ferry mostra que 70% das organizações globais planejam reduzir ou eliminar o modelo remoto nos próximos anos. No Brasil, gigantes como Nubank, iFood e Ambev já sinalizam mudanças, chamando funcionários de volta aos escritórios. A promessa de flexibilidade parece ceder lugar à busca por colaboração e controle. Especialistas apontam que a produtividade caiu em alguns setores no remoto. O presencial volta a ser visto como essencial.
A pandemia forçou uma adaptação relâmpago ao home office em 2020, com 46% dos trabalhadores brasileiros atuando de casa, segundo o IBGE. Na época, o modelo foi celebrado por reduzir custos e oferecer equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Empresas investiram em tecnologia, e funcionários adaptaram suas rotinas. Mas, cinco anos depois, o cenário mudou: a falta de interação presencial tem gerado problemas como desalinhamento de equipes e dificuldade em inovar. O que era solução emergencial agora é questionado. O escritório ganha força como espaço de conexão.
Um dos motivos para o retorno é a percepção de que o home office prejudica a criatividade coletiva. Reuniões virtuais, apesar de práticas, não substituem o “brainstorming” cara a cara, segundo Mariana Carvalho, gerente da Korn Ferry. Estudos mostram que 60% das lideranças sentem queda na inovação sem encontros presenciais. Empresas como a Ambev, que voltou ao modelo híbrido com mais dias no escritório, querem resgatar a troca espontânea de ideias. A cultura corporativa, dizem, se enfraquece no isolamento. O presencial é visto como um motor de inspiração.
Outro fator é a dificuldade de gerenciar equipes remotas, especialmente em setores que exigem supervisão direta. No Brasil, 35% dos gestores relatam problemas para monitorar o desempenho no home office, conforme a pesquisa da FGV. Ferramentas de controle, como softwares de rastreamento, geram controvérsia e não resolvem a falta de engajamento. Empresas como o Nubank, que nasceu digital, agora pedem presença semanal para alinhar times. O presencial facilita o acompanhamento e a cobrança. A gestão à distância revelou seus limites.
O impacto na socialização dos funcionários também pesa na decisão de abandonar o home office. Trabalhar de casa isolou muitos profissionais, afetando o senso de pertencimento, segundo psicólogos organizacionais. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Psiquiatria aponta que 40% dos trabalhadores remotos relataram aumento de estresse desde 2022. Escritórios voltam a ser promovidos como espaços de convivência, com áreas de lazer e benefícios presenciais. A iFood, por exemplo, reformou sua sede para atrair o time. O contato humano é um diferencial difícil de replicar.
Do lado dos trabalhadores, a volta ao presencial gera reações mistas: alguns celebram, outros resistem. Uma pesquisa da Catho mostra que 55% dos brasileiros ainda preferem o home office pela flexibilidade e economia com transporte. Porém, jovens profissionais, como os da Geração Z, valorizam o escritório para criar redes de contatos e aprender com colegas. A Nubank, por exemplo, ouviu que novatos sentiam falta de mentoria no remoto. O presencial pode ser um trampolim na carreira. A escolha divide opiniões no mercado.
Empresas também alegam que o home office elevou custos indiretos, como subsídios para internet e energia dos funcionários. Um estudo da consultoria PwC indica que 25% das organizações brasileiras gastaram mais com infraestrutura remota do que esperavam. Já o retorno aos escritórios permite otimizar espaços físicos já existentes, mesmo com reformas. A Ambev, por instance, reduziu andares alugados, mas quer todos presencialmente em dias fixos. O cálculo financeiro está mudando a balança. O presencial pode ser mais econômico a longo prazo.
Por fim, o home office não deve desaparecer por completo, mas sua era de domínio parece estar no fim. Especialistas preveem um futuro híbrido, com equilíbrio entre remoto e presencial, ajustado às necessidades de cada setor. A pandemia mostrou que o trabalho pode ser flexível, mas o escritório ainda tem valor estratégico. Em 2025, o Brasil acompanha uma tendência global de revalorização do presencial. O desafio será conciliar expectativas de empresas e funcionários. O modelo de trabalho segue em transformação.